segunda-feira, 12 de abril de 2010

Na busca do Design Dominante: Os e-readers

Pessoal, estamos testemunhando na prática o modelo da dinâmica da inovação desenvolvido por Abernathy e Utterback em 1978.


Após o lançamentos dos primeiros E-books que não colaram, o surgimento do Kindle da Amazon (com sua proposta de valor razoavelmente convincente) e a pouco tempo surge um novo tablet, o iPad da muito aclamada e temida Apple junto com um conjunto de diferenciais dirigidos aos consumidores de informação multimídia. Estes novos produtos sendo lançados no mercado de forma sistemática com um comportamento do mercado ainda em estado contemplativo sobre os lead users, mostra que o design dominante do e-reader ainda não foi escolhido pelo mercado, mesmo com o Kindle que cresce em vendas de forma consistente e mostra bons resultados na venda de livros em bits, pela reação do mercado ainda estamos em processo decisório.

Estamos na fase transitória como descrito pelo modelo, onde o mercado define qual é o design dominante, como aconteceu com a maioria das inovações de grande influência na vida das pessoas, por exemplo os automóveis, máquina de escrever, o PC, o VCR, etc. As tecnologias são disponíveis que tornam possível estes magníficos instrumentos como é o caso do touchscreen, especialmente o papel e tinta eletrônico da líder E.Ink ou as telas luminosas LED brilhantes como é nova proposta feita pela Apple.

A Forrester Research em seu relatório de 2009 mostra que passamos da fase fluida e entramos na fase transitória :

How Big is the eReader Opportunity?:

“The eReader market is hot: Barely a day goes by without an announcement of a new device release or acquisition. Amazon.com, leveraging its position as a dominant book retailer, has catalyzed the market for eBooks, but that’s just the beginning of the eReader revolution. Competitors will attack Amazon’s market position by launching new features, expanding content beyond books, dominating markets outside the US, reducing costs, and improving relationships with publishers. While frequent book readers drive device and content sales today, the next five years will see an explosion of the eReader textbook market, and in 10 years, the market will be driven by businesses going green in government, education, health, and other sectors. With retailers, mobile operators, and device manufacturers all vying for a piece of the eReader action, publishers should proactively shape their own eReader opportunity — or miss their last best chance to control their own destiny.”

O gráfico abaixo mostra a formatação da fase fluida e de transição.


A maioria dos e-readers lançados são suportados por modelos de negócio, alguns destes, como são os casos de modelos próprios dos grandes representantes da indústria da TI e com poder de bala, são a Amazon.com (Kindle) e a Apple (iPad) em formatação. Quem ficar no meio do tiroteio sem bons mecanismos de defesa pode sucumbir durante o processo de definição do design e modelo de negócio dominantes. Outros modelos de negócio são o resultados de alianças estratégicas entre as grandes, como são a Sony, Barnes & Noble e com e-reader Nook, Microsoft, HP, Google, ASUS, Sangsung, Philips e outros pequenos como é o caso da própria eInk, Skiff, IREX, JetBook entre outros entrantes. Os titulares no mundo editorial, jornalístico e os milhares de autores atualmente sobrevivem no mundo dos átomos, se movimentam para definir seu posicionamento, não apresentando ainda modelos mais convincentes do que Amazon ou o que a Apple pretende tornar viável como fez com a indústria da música com o iPod e o iTune. Porém, os componentes da cadeia ainda apresentam grandes temores com o modelo de negócio que mostra ser mais uma areia movediça para a indústria da informação no universo dos bits. O maior temor está no exemplar mundo da música e temem que aconteça o mesmo com os livros, revistas e jornais impressos, que surjam quebras na cadeia e que os conceitos dos negócios como os conhecemos não consigam mudar, é o caso do jornalismo e os novos players como são os bloggers e do papel dos editores no mundo dos livros eletrônicos, sem falar no que acontecerá com os produtores de papel. Como é sabido no universo dos bits a capacidade de produção e replicação são infinitas à velocidade da internet, como também a capacidade de distribuição global em segundos. Esta realidade conduz à idéia de não conseguir criar modelos de negócio com um modelo de receitas consistente que consiga remunerar os produtos e serviços de qualidade. A opção sendo discutida atualmente no mundo editorial é o modelo de receitas baseada em micropagamentos e transações online. Acredito que tudo isso deverá passar por uma revisão muito profunda dos modelos e seus componentes. Ainda dá tempo, não se pode esperar muito pela mudança ou ser pegos de calça curta como a indústria da música que acreditava que estava na indústria de CD´s.

(ver: UTTERBACK, J.M. Dominando a Dinâmica da Inovação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996).

quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma inovação baseada na filosofia JTBD

Após algum tempo venho observando um problema das pessoas. Como todo mundo sabe o Brasil como país tropical possui muitas cidades que sofrem de chuvas intensas, além de chuvas em algumas cidades elas se juntam a ventos fortes, e isso é realmente chato. Não é preciso imaginar, quase todos temos passado por essa experiência.
Tenho visto muitos inventos sobre guarda-chuva e vejo que a coisa estava muito focada na voz do cliente e não na tarefa que o cliente desejava realizar.
Veja as imagens abaixo, todas elas são circunstâncias dos usuários do lendário guarda-chuva e também soluções focadas em fazer um melhor guarda-chuva e as necessidades que as pessoas identificaram no tempo.




O nubrella mostra que a aplicação do princípio jobs to be done (JTBD) leva a criar soluções verdadeiramente inovadoras mesmo tendo muita gente que ridiculariza o conceito, esta traz uma nova forma de solução para a tarefa de proteger as pessoas da chuva. Talvez esteja faltando solucionar as tarefas emocionais (pessoais e sociais) e não somente as funcionais. A proposta pode demorar em difundir-se porém ela é uma inovação com grande potencial de criar questionamentos para o conceito de guarda-chuva que por séculos utilizamos. Pode ser o início da uma descontinuidade.



No site www.nubrella.com tem entrevistas na ABC news e mais informações sobre o produto.

Ver video no youtube.


sábado, 20 de março de 2010

“Inove - Carreiras & Negócios” realiza mais uma edição

Pessoal recebi esta informação sobre uma excelente oportunidades para os corajosos empreendedores. Como aprendi com o tempo, oportunidades são janelas que se abrem e se fecham, existindo um tempo entre a abertura e o fechamento e esse tempo é claro é singular para cada oportunidade que surge.

O Instituto Gênesis da PUC - Rio oferece mais uma edição do programa “Inove - Carreiras & Negócios”. O Inove tem o objetivo de disseminar a cultura do empreendedorismo, do planejamento e da inovação. O programa, que já reuniu cerca de 4.000 participantes em edições anteriores, tem término previsto para julho de 2010.

Em parceria com o SEBRAE Nacional e SEBRAE RJ o programa tem como finalidade auxiliar empreendedores e potenciais empreendedores com os seus negócios, é inteiramente gratuito e destinado ao público em geral.

O Inove tem duração total de 12h, divididas em três módulos, e iniciado com uma palestra de sensibilização. O primeiro módulo é um encontro que tem por objetivo despertar o espírito empreendedor nos participantes. No segundo, os alunos recebem orientações sobre mercado e inovação, e no terceiro sobre plano de negócios. Para concluir, os participantes que entregarem um plano de negócios e forem selecionados, receberão uma consultoria individual.

O “Inove - Carreiras & Negócios” acontece na Universidade PUC - Rio. Para os interessados em participar no Instituto Gênesis, as inscrições podem ser feitas pelo telefone (21) 3527-1371, pelo e-mail genesis@puc-rio.br, ou no endereço Rua Marquês de São Vicente, 225, Edifício Dom Jaime de Barros Câmara, no bairro da Gávea - Rio de Janeiro.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oportunidades de Inovação no Boom da Construção Civil

Revisando os cenários do desenvolvimento econômico pelas várias instituições e revistas especializadas de plantão, percebi a abertura de uma janela de oportunidades para inovação de ordem superior. O grande momento do Brasil, especialmente nas áreas da sustentabilidade e construção civil são um fato.
Fazendo uma análise, percebo que várias inovações estão presentes e surgem no setor de construção civil, por outro lado noto que o setor tem muito espaço para melhorar e mesmo inovar em grande escala. A dependência em habilidades profissionais com quase os mesmos processos construtivos preservados a muito anos se mantém com raízes profundas.
Observando a cadeia de produção da construção civil existe muito campo verde para inovar, sejam os próprios processos e a gestão da produção, logística, tecnologias de matérias primas que favoreçam o processo construtivo, engenharia de produto e de processo andando juntos. Até mesmo os modelos de negócio existente entre os membros da cadeia, sejam estes escritórios de engenharia e arquitetura, construtoras, incorporadoras, empreiteiras, fabricantes de matéria prima, imobiliárias, etc. Todos estes componentes se organizam e configuram na tentativa de melhor entregar e capturar valor, porém os modelos de negócios atuais os considero ainda tradicionais e conservadores.
Muitas oportunidades surgem e esta realidade exige um repensar em como criar valor superior, é onde os modelos de negócio inovadores podem melhorar a forma de capturar valor de mercado com mais eficácia. Devemos prestar atenção os setores de transformação e manufatura que tem evoluído de forma considerável. Na maioria dos casos foi repensada toda a cadeia, conduzindo a criar maior valor, ao aproveitar a onda da globalização mudanças surgem todos os dias e o que conhecemos de indústria de transformação mudou profundamente sua dinâmica, ampliou o acesso e se criam diariamente melhores oportunidades de consumo, visto a possibilidade de redução do custo unitário, mantendo a qualidade e penetração em todas as camadas do mercado.
O pensamento básico que inovação precisa de mudança nos modelos mentais e exige a quebra de paradigmas é outro fato que os membros da cadeia precisam absorver. Um exemplo da quebra de paradigma é Sidnei Borges dos Santos, de 34 anos da construtora BS que hoje fabrica casas pré-fabricadas de 36 a 120 metros quadrados. O menor módulo custa 40 000 reais. O maior sai por 250.000 reais. O sistema de produção se assemelha ao deuma linha de montagem de carros. Com esse sistema, a BS Construtora, fundada em 1994, fabrica atualmente 19 casas por dia. Outras inovações ou propostas de mudança vão surgindo, o céu é o limite.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Inovar para sair da Comoditização

Antes de mais nada, aconteceu um problema de falta de atenção no post (Inovação e a Escola do Futuro) que fiz em dezembro porém entrou na lista de novembro. Bom essas coisas acontecem para os blogeros leigos. Desculpem pelas falhas.
Estava com um tema de gestão estratégica na cabeça a um bom tempo. O ano termina daqui a pouco e quero deixar alguns pontos importantes para aqueles que estão revendo seus negócios ou sentem que a coisa não está indo bem no empreendimento. Este ano analisei vários negócios e sua capacidade de sustentabilidade e o dilema da comoditização está presente e avança rapidamente para alguns e para outros é gradual e lenta.

Novamente usarei o modelo Kano para mostrar o processo que acontece com os produtos no tempo. Este comportamento é tiro e queda na maioria dos produtos. Com o tempo os atributos de qualidade do produto evoluem graças ao surgimento de novas características que geram novos parâmetros de satisfação, ao mesmo tempo há mudanças nas exigências dos clientes. Estes atributos normalmente nascem como atributos atrativos ou caracterizados por serem uma novidade aceita que gera satisfação quando presente. Depois evoluem e caem na boca do povo e se tornam lineares ou são exigidos pelos clientes e na sua falta cria insatisfação e quando presente satisfação. Com o tempo passam a ser obrigatórios exigidos como compulsórios, sendo assim a sua presença é considerada obvia e sua ausência gera insatisfação.


Este processo de evolução comum podemos chamar também de comoditização. No caso de modelos de negócio existe também um comportamento que conduz à comoditização do modelo. Porém o que temos aqui é um negócio com baixa capacidade de diferenciação onde o preço se torna o único parâmetro de comparação que o cliente percebe entre as diferentes ofertas.
O modelo de Teece mostra com claridade as duas variáveis que afetam o modelo de negócio e sua capacidade gerar lucro de forma convincente. Uma é a variável da Propriedade Intelectual (PI) ou da Inimitabilidade e a outra é do Domínio de fatores graças a ativos complementares. Para exemplificar a Gillette-Sensor e Mach3 (QIV), Apple, Dell e Dupont-Nylon (QIII), Coca Cola (QII), Tendência do Jornal Impresso (QI), são alguns poucos exemplos.
(Q: Quadrante).



Para analisar usamos a ferramenta do Business Model Canvas de Alexander Osterwalder. Esta ferramenta de modelagem serve para avaliar conceitualmente o modelo de negócio e cada um dos seus componentes.
Durante a análise se verificam os sintomas das ameaças da comoditização e com ajuda do modelo pode mostrar com claridade os sinais. O principal sintoma que normalmente passa desapercebido e que conduz a uma comoditização certa é quando acontecem mudanças na lista de prioridades dos clientes e o gestor nem equipe percebem as mudanças. É normal acreditar piamente que nunca deixaram de oferecer produtos e serviços de qualidade. Este único fato muda profundamente todo o contexto competitivo e a capacidade de ganhar dinheiro é afetado.
Os modelos de negócio se comoditizam essencialmente quando novas propostas de valor surgem por um concorrente ou um novo entrante no mercado, enquanto isto acontece você e os outros ficam paralisados no seu modelos mentais que acredita que amanhã será igual como hoje ou ontem, conduzindo o negócio para uma zona com menores chances de poder reagir por não entender as tendências. A grande questão é ter consciência de que o que tornou possível o sucesso no passado pode não ser suficiente para obter sucesso no futuro.
A comoditização pode acontecer também porque o modelo foi superado por um modelo de negócio disruptivo que oferece uma proposta de valor mais barata, acessível e conveniente.

O processo de inovação requer uma análise profunda de cada componente do Modelo de Negócio mostrado acima (ver canvas). Os componentes possuem uma interligação sistêmica e devem ser revisados e avaliados dentro de um contexto externo em mutação e por meio de uma visão de causa e efeito. Não podemos esquecer que negócios bem sucedidos são tudo menos "simples", por isso devemos prestar atenção que a complexidade estará muito presente nesta tarefa.
Durante o processo de inovação poderá ser necessário atuar em cada componente e estabelecer novos níveis de desempenho. Podemos necessitar eliminar canais ou criar novas formas de produzir e de entregar (ex. Dell), relacionamento com o cliente diferente (ex. SalesForce.com), novas propostas de valor com experiência de valor para os clientes (ex. Starbucks) ou novos modelos organizacionais (ex. ABB), podemos precisar de novas formas de conduzir as operações (ex. Habib's ou a antiga Gol) e muitas outras variantes possíveis de configurar um negócio.
O modelo abaixo de Mohanbir Sawhney é um bom referencial do que o inovador precisa saber ou se concentrar na hora de inovar o modelo de negócio. A questão será ou fortalecer ou aliviar ou melhorar ou manter ou mesmo eliminar ou criar.


Modelo das 12 dimensões de Mohanbir Sawhney


Ano novo, modelo de negócio novo pode ser uma boa opção para 2010.
Felicidades e sucesso a todos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Entrevista com o Ex Chefão da Proter & Gamble vale a pena

A entrevista com A.G. Lafley, ex Chairman and CEO da P&G ajuda a entender como esta empresa conseguiu realizar uma mudança impressionante no desempenho (ver perfil). Os resultados da empresa são enormes enquanto esteve a frente das principais divisões e de toda a empresa até 2009. Sempre foi conhecida como uma empresa de produtos inovadores, mais P&G inovou além do normal, a sua contribuição e grande lição para o mundo corporativo está em inovar na forma de inovar. Atualmente é um case de sucesso em Open Innovation, onde precisamente afetou também seus Modelos de Gestão e de Negócio. O novo livro "Game Changer" de A.G. Lafley em parceria com o famoso Ram Charam (um bom contador de história), já disponível em português com o título "O Jogo da Liderança", onde trata com mais profundamente o assunto.


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Inovação e a Escola do Futuro

Por mais de uma vez tenho sido chamado para dar apoio no repensar estratégico de algumas escolas particulares. Tentarei descrever as minhas percepções e resultados de pesquisas que embasam meu ponto de vista.

No início do século 21 a recomendação foi o uso de uma gestão mais atual e moderna em nível de sistema central e no nível descentralizado na própria escola sendo uma das tendências em muitos países que tem resultado em melhorias graduais ou incrementais. Também, o uso experimental de diversas tecnologias de comunicação e informação (TIC) disponíveis, a introdução de alguns novos modelos pedagógicos e outros instumentos de ensino–aprendizado, algumas mudanças, alias muito fracas, na formação dos diferentes profissionais que trabalham no setor, tem mostrado ser pouco efetivas, visto que não geraram a solução para encurtar o grande hiato de desempenho na educação do país. No Brasil algumas melhorias no desempenho na educação no país é mostrada pela melhoria dos indicadores desde 1975, taxa de matriculas no ensino básico saltou de 86% para 97%; e no médio, de 15 % para 71%. O índice de alfabetização de adultos passou de 82% para 97,3%. 98% das crianças em idade escolar freqüenta salas de aula.

Os péssimos resultados alcançados pelo Brasil na segunda pesquisa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) mostra que a coisa não vai ser simples de solucionar.

Acredito que inovar radicalmente é a saída para vencer este desafio. Os cenários mostram que deveremos ter soluções radicais e até mesmo as inovações disruptivas devem ser as que criarão os novos formatos nas correntes da inovação puxada pelo mercado e as inovações tecnológicas e de novos modelos de negócio. O conceito de "Disrupting Class" de C. Christensen comparte sua visão dos efeitos das inovações disruptivas e como o ambiente e as tecnologias tem a força de mudar e dar respostas às necessidades de uma educação centrada no aluno.

O mais desafiador é construir uma escola centrada no aluno e ao mesmo tempo uma educação customizada. O país precisa inovar de forma mais consistente e investir de forma mais coerente com a dimensão do problema. Preocupa a miopia das políticas públicas que estão mais focadas em ampliar o acesso à educação do que criar uma educação sintonizada com o século 21. O Ministério de educação e C&T está em praticar a grande aposta, com influência clássica dos economistas típicos, ou seja, focada na melhoria da produtividade, por isso sua orientação de investimentos pesados em EaD (Educação a Distância).

Os principais questionamentos hoje são:

  1. Quais habilidades, conhecimentos e apoio precisam os professores para que possam desenvolver um aprendizado inovador entre os alunos?
  2. Qual é a estrutura organizacional e parceria melhor apóio para oferecer uma capacitação inovadora aos alunos?
  3. Quais são as TIC mais efetivas de serem utilizadas para inovar o processo de ensino aprendizado?
  4. Como o ambiente e arquitetura deve ser criado para implementar um aprendizado inovador?

Para entender melhor o futuro que se aproxima, um trabalho muito interessante são os cenários elaborados por um grupo da OECD em 2001, olhando um horizonte de 10 a 15 anos.

Extrapolação do status quo

Cenário 1. SISTEMAS ESCOLARES BUROCRÁTICOS FORTES

  • Burocracias fortes e instituições sólidas;
  • Os direitos adquiridos resistem às mudanças fundamentais;
  • Persistência dos problemas de imagem e de recursos da escola.

Cenário 2. EXPANSÃO DO MODELO DE MERCADO

  • A insatisfação geral conduz à reconfiguração dos sistemas públicos de financiamento e de valorização;
  • Valorização do mercado dos indicadores e dos mecanismos de validação baseados na procura;
  • Maior diversidade dos prestadores e dos profissionais, maiores desigualdades.

Reescolarização

Cenário 3. A ESCOLA NO CENTRO DA COMUNIDADE

  • Confiança significativa da opinião pública e nível elevado de financiamento público;
  • A escola no coração da comunidade e centro de formação do capital social;
  • Diversidade organizacional/profissional acrescida, maior equidade social.

Cenário 4. A ESCOLA COMO ORGANIZAÇÃO APRENDENTE

  • Nível elevado de confiança e de financiamento público;
  • Importante desenvolvimento dos contactos entre escolas e professores em organizações aprendentes;
  • Qualidade e equidade.

Desescolarização

Cenário 5. REDES DE APRENDENTES E A SOCIEDADE EM REDE

  • Insatisfação generalizada relativamente aos sistemas escolares organizados e rejeição destes;
  • Os conhecimentos adquiridos por via das TIC fora das estruturas formais reflectem a “sociedade em rede”;
  • Comunidades de interesses, riscos de sérios problemas de equidade.

Cenário 6. ÊXODO DOS PROFESSORES – A DESINTEGRAÇÃO

  • Elevada carência de professores, não resolvida pela acção governamental;
  • Os conflitos e a diminuição da qualidade provocam “desintegração”;
  • A crise gera numerosas inovações, mas o futuro mantém-se incerto.


Neste sentido cito o Dr. C. Y. Cheng, Diretor do Centro para Pesquisa e Colaboração Internacional no Instituto de Educação de Hong Kong, que se alinha aos cenários e estudos desenvolvidos, tendo proporcionado uma contribuição significativa com relação a este trabalho. Cheng propõe que todo empreendimento em educação, inclusive escolas, sistemas educacionais e universidades, precisam de um novo paradigma para moldar suas operações, ilustrado na Tabela A. Na coluna direita observamos o pensamento tradicional, onde os estudantes e sua aprendizagem são parte da reprodução e de um processo de perpetuação do conhecimento existente e uma estrutura da força de trabalho, de maneia a sustentar o desenvolvimentos da sociedade, particularmente nos aspectos sociais e econômicos. Não é uma surpresa que os estudantes percebam a educação como um processo de aprendizagem de “reprodução” de maneira e satisfazer as necessidades da sociedade.

Tabela A. Ilustra o paradigma da mudança no ensino

Novo Paradigma

Paradigma Tradicional centrado no local e no professor

Ensino individual

· O professor é um facilitador no apoio no aprendizado dos estudantes.

· O professor é de multiple inteligência.

· O éstilo de ensino individualizado.

· O ensino é para aumentar a curiosidade.

· O ensino é um processo para iniciar, facilitar e apoiar no auto-aprendizado e auto-atualização dos estudantes.

· Partilhar da alegria e diversão com os estudantes.

· O ensino é um processo de aprendizado para toda a vida

Ensino reproduzido

· O professor é o centro do processo de educação

· Professor parcialmente competente

· Estilo de ensino padrão

· Ensino é para transformar conhecimento

· Ensino é um processo disciplinar, entrega, treinamento e de socialização.

· Alcançando padrões nas provas e examens

· Ensino é um processo de transferencia e aplicação.

Ensino localizado e globalizado

· Fontes de ensino e conhecimento multiples local e global.

· O ensino é baseado em rede

· Os estudantes podem aprender com experiências classe-mundial

· Oportunidades de ensino sem limites

· Professores com perspectiva local e internacional

Ensino ligado à Escola

· Professor como única fonte de ensino e conhecimento

· Ensino fragmentado

· Ensino ligado ao local

· Oportunidades limitadas de aprendizado

· Única experiência na escola

Como parte de uma série de premissas para encarar os cenários em formação, Cheng propõe o conceito ‘triplisation’: globalização, localização individualização.

· Globalização refere-se à transferência, adaptação, e desenvolvimento de valores, conhecimento, tecnologia e normas de comportamento por países e sociedades em partes diferentes do mundo. Os fenômenos típicos e características associadas com a globalização. Incluem crescimento da rede global (internet, world wide e-comunicação e transporte), transferência global e fluxos de informação (interflow) nos aspectos tecnológico, econômico, social, político, cultural e de aprendizado, alianças internacionais e competição, colaboração internacional e troca, aldeia global, integração multi-cultural e uso de padrões internacionais e pontos de referência.

· Localização: refere-se à transferência, adaptação, e desenvolvimento de valores relativos ao conhecimento, tecnologia, e normas de comportamento dos contextos locais. Tem dois tipos de significados: primeiro, pode significar a adaptação de valores externos todos relacionados a iniciativas e normas para nivelar satisfazer as necessidades locais relativas à sociedade, comunidade ou local; segundo, também pode significar aumentar a significância de valores locais, normas, preocupação, relevância, participação e envolvimento nas iniciativas relacionadas e respectivas ações.

· Individualização refere-se à transferência, adaptação, e desenvolvimento de valores externos relativos ao conhecimento, tecnologia, e normas de comportamento para atender as necessidades e características individuais. A importância de individualization para o desenvolvimento humano e desempenho está baseado nas preocupações e teorias de motivação humana e necessidades (por exemplo Maslow, 1970; Manz, 1986; Manz & Sims, 1990; Alderfer, 1972).

Por outro lado se considera que o setor educacional movimente 9% do PIB brasileiro e isso é bem razoável para ficar interessado e cheio de preocupação pelo que representa, não somente com relação a valor monetário, senão e principalmente como criador de valor de capital humano e social e como todo mundo sabe, a única forma para sair da miséria sem precisar usar soldados ou balas ou tanques.

Pesquisas patrocinadas pela OECD/CERI descrevem que a “Inovação” na escola como prática pedagógica que procura algumas ou várias das seguintes metas:

a) Promover processos de aprendizagem ativos e independentes nos quais os estudantes assumem uma responsabilidade pela sua própria aprendizagem;

b) Proporcionar aos estudantes competências e habilidades na manipulação de informação;

c) Encorajar prática de trabalho colaborativo e aprendizagem baseada em projeto;

d) Individualizada de instrução de prover; para endereçar direito de propriedade;

e) Decompor um configuração da aprendizagem tradicional nenhum tempo espaço de e;

f) “quebrar ou botar abaixo” como paredes de sala de aula;

g) Melhoria coesão da natureza e social do entendimento que os estudantes interagem com grupos e culturas com como que caso contrário eles não interagiriam.

Tenho testemunhado que na prática temos nos tornado especialistas em desenvolver diagnósticos amplos e complexos, porém na hora de elaborar as soluções temos agido de forma tipicamente analítica. Por isso também temos implementado soluções dispersas e em partes, com baixa coordenação de integração e sem seguir um pensamento sistêmico na hora de sua implementação. As próprias estruturas de governo são a causa, graças a sua dicotomia e baixa capacidade de trabalhar transversalmente. Tudo isso e muito mais tem conduzido a soluções fracas. Mesmo na própria escola este pensamento é muito presente. Ficamos presos a uma formatação de como ensinar, mesmo o PPP nas escolas, as propostas são uma cópia uma da outra. As propostas alternativas são muito mais propostas de diferenciação mais não algo consistente e definido baseado em pesquisa e experimentação. É claro que existem propostas muito promissoras, porém poucos são os casos realmente inovadores, ao mesmo tempo temos evoluído pouco nas regras do jogo e no mundo legal.

Pessoalmente me motivam as soluções radicais, como são os casos das políticas e proposta britânica. Praticamente a idéia é colocar todas as escolas no chão e levantar novas escolas, desenhadas com as mais modernas propostas em estrutura, modelos pedagógico, novas competências e criar totalmente novos ambientes de aprendizado.

No relatório do projeto: "Building Schools for the Future (BSF) is the largest single capital investment programme in schools in England for more than 50 years and has the aim of ensuring world class learning environments which will support current and future generations of young people in achieving their full potential. It began in 2005/06 and will see virtually all of England’s 3,500 secondary schools rebuilt or substantially refurbished in 15 waves of investment (subject to future government spending decisions). The programme is part of a wider capital strategy within the Department for Children, Schools and Families (DCSF) that will see total capital investment in schools in England increase from £6.4 billion in 2007/08 to £8.2 billion in 2010/11. (Department for Children, Schools and Families Evaluation of Building Schools for the Future – 2nd Annual Report)"

Não é discurso é matemática financeira, taxa de retorno e de valor presente líquido e lógica clara de investimento de longo prazo. Os ingleses não são demagógicos nesse ponto, é simplesmente uma política de investimentos inteligente.

Não percebemos que nossas crianças e jovens estudam em escolas que foram invenções sociais cujo conceito tem séculos. Os Sumérios que a inventaram em 2500 AC e em alguns casos ainda seguimos o conceito. Não é uma questão de simplesmente política pública senão de investimentos que possuem as melhores taxas de retorno em infra-estrutura de todos os investimentos que se possam fazer em um país. A foto abaixo de 1908, se fosse colorida e as roupas dos aluno estarem na moda de 2009, teríamos poucas diferenças com as escolas de hoje. Poderíamos ter um quadro branco ou mesmo quadro e giz atualizado, mesmo assim não haveria grande diferença.

Inovações de alto nível na educação deverá vir apostando na formação de professores mais adequados aos novos tempos e os novos formatos no mundo do trabalho, a tabela acima mostra claramente a mudança no papel do educador. Mostrando a necessidade de novas relações empregatícias / trabalhistas. Indivíduos com formação diversificada e contratos flexíveis é o quadro futuro.

Infra-estrutura e uso intensivo de TIC é obrigatório e não dá para ser menos nos dias de hoje. Os investimentos em tecnologias pedagógicas aumentará, somente que isto deve ser uma tarefa integrada com as duas soluções de arquitetura da escola e as novas competências dos educadores. Fora todos os aspectos relacionados acima, o papel de uma gestão competente é básico e todo o relacionado a um modelo organizacional e um modelo de gestão aderente às exigências da escola do futuro.

- Building a culture of innovation in schools. Submission of the University of Melbourne to the Second Phase of the Review of Teaching and Teacher Education, The University of Melbourne, May 2003.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mais um modelo de negócio que gera oportunidades de trabalho

Um negócio em expansão cujo intuito principal é facilitar, para que pessoas criativas das artes multimídias possam criar rede, prêmios ($$), mostrar portfólio e ao mesmo tempo encontrar-se com aqueles que buscam soluções criativas neste mundo artístico digital. Trata-se do negócio online Guerra Criativa.


"Guerra Criativa é uma comunidade para “criativos” na qual companhias podem buscar colaboradores para seu trabalho criativo.Os “criativos” podem construir perfis profissionais, uma reputação e fazer amigos. Vencedores de competições ganham prêmios em dinheiro."

Guerra Criativa com uma proposta de nicho no campo da criação e essencialmente no mundo digital, favorecendo várias questões para quem ganha dinheiro tendo como instrumento o computador e por outro, muita criatividade. Acho a proposta muito interessante para quem trabalha com criatividade e para quem busca soluções profissionais e talentos com menor custo. Sem toda aquela problemática trabalhista de contratar talentos relativamente caros ou se livrar dos contratos amarrados com agências. Por isso acredito que o negócio tem o potencial de tornar-se atrativo para as empresas, que é um elemento essencial de um modelo de negócio, ou seja, este precisa na sua concepção e fórmula a capacidade de gerar demanda crescente e contínua,

Reunir "cliente-fornecedor" e criar valor a esta reunião de forma consistente e convincente é o desafio nas propostas de valor de muitos modelos de negócio deste tipo, a questão e o desafio é como realmente ganhar dinheiro. Acho que os fatores chave destes modelos para alcançar sustentabilidade de longo prazo é muita promoção, volume, muita paciência (que a maioria dos acionistas não tem) e muito boa tecnologia de interface para que cliente fornecedor se entendam e trabalhem produtivamente.


domingo, 1 de novembro de 2009

GOOD.IS é uma Excelente Proposta em Diversos Temas

GOOD é uma daquelas revistas na web muito interessantes que de vez em quando descobrimos. Todos sabem, a rede está cheia de ouro, pérolas e muita porcaria e também sabemos que por isso se exige de um processo de mineração para encontrar valor na rede. As contribuições dos colaboradores da revista são esclarecedoras e com um valor de mentes positivas que é possível melhorar sempre e puxar o mundo para frente. A revista propõe que INNOVATION e GOOD são sinônimos.

É fácil propor, não custa nada, poderíamos criar algo assim em português não acham seria realmente muito BOM?

GOOD is a collaboration of individuals, businesses, and nonprofits pushing the world forward. Since 2006 we've been making a magazine, videos, and events for people who give a damn.
This website is an ongoing exploration of what GOOD is and what it can be.