terça-feira, 3 de agosto de 2010

Profetizando a queda do modelo de negócio que sustenta a TV

O que perturba o sono dos chefões dos canais de TV?. As profecias contidas neste blog fazem parte da pregação da nova religião no mundo dos negócios, encontrada em muitos blogs, papers e livros mundo afora, inove ou morra!

Em 27 de julho de 2009 publiquei um post sobre a encruzilhada em que se encontram os negócios de jornais de papel, devido a um modelo de negócio e suas tecnologias associadas em processo lento de obsolescência. Negócios baseados unicamente em jornais de papel continuam a

sucumbir, primeiro em países mais conectados à internet e agora nos emergentes. As empresas de jornal de papel estão sentindo diretamente no bolso, os efeitos são diretos na fórmula de lucros e na estrutura de custos do negócio, pergunte a qualquer um que atue no setor.

Usando o mesmo modelo analítico para os jornais de papel, percebo a TV como o próximo alvo da destruição criativa, mesmo ainda sem data marcada. Baseio-me um pouco no surgimento freqüente de novas tecnologias e novos modelos de negócios que gravitam em torno do setor. Um sinal emblemático tornando-se um verdadeiro marco na curva S da mudança, foi quando a Google pagou bilhões pelo Youtube, que era normal em tempos de bolha mais após o ano 2000 isto mudou. Ao mesmo tempo outros entrantes lançam soluções de alta qualidade para o conhecido “TV alternative market”.

A empresa start-up Move Network (Move) simboliza este movimento e que a poucos anos desenvolveu uma proposta de valor que me surpreendeu, operando em American Fork, Utah - USA. Esta oferece uma plataforma tecnológica de vídeo de alta qualidade pela web. A Move foi fundada pelo famoso empreendedor Drew Major, o mesmo que criou a Novell. Ela tinha clientes significativos como FOX, ABC, ESPN e Discovery Channel. Nestes anos que utilizei os produtos com a plataforma da Move, a avalio como a melhor opção de qualidade do mercado. Move recebeu US$ 67 milhões em capital de risco de proeminentes braços de investimento que incluem Microsoft Corp., Comcast Corp. and Walt Disney Co.. A notícia dada pela “The Diffusion Group” informa que Move não conseguiu se manter vivo num ambiente ainda cheio de dilemas. Em outras palavras, não conseguiu formatar um modelo de negócios robusto que o mantivesse em pé.

Este exemplo por um lado dá abertura a um repensar aos modelos emergentes e apontam que os modelos de receitas são um o grande desafio e um problema a resolver. A minha percepção é clara, o mundo dos modelos de negócio na web é muito diferente comparando com o mundo do mercado tradicional de tijolos. Lembro que os portais como AOL, UOL ou Terra, no seu surgimento os modelos mentais dos empreendedores destes tipo de negócio foram contaminados com o modelo mental que pensa que o mundo continuaria igual no mundo virtual, assim entupiram os seus espaços pixel a pixel com banners (ou outdoors) na internet para vender publicidade. Da mesma forma os sites de jornais de papel tentam fazer o mesmo, vendendo anúncios de classificados pela internet sem uma definição convincente de um modelo de negócios sustentável.

Quando a criatividade dos empreendedores descobrirem ou projetarem um modelo de negócio e tecnologias que consigam atrair pessoas para a internet de forma a dar conta da tarefa exigida pelo mercado, ou seja de informar e/ou entreter em níveis iguais ou melhores (desempenho e satisfação) aos da TV (aberta, satélite ou cabo), poderemos dizer que a profecia foi cumprida. Norio Ohga sucessor de Akio Morita na Sony, dizia que o diferencial que separa a competitividade entre a TV e o Computador são unicamente de 60 graus, ele se referia ao angulo

do corpo quando nos sentamos para ver a TV comparado com os 45 graus quando pilotamos um PC. Estes poucos graus são fatores antropológicos e/ou unicamente ergonômicos que separam os públicos e preferências afetando enormemente a aceitação que confirmam o design dominante de uma inovação . O mesmo acontece atualmente entre os gadgets iPad ou Kindle e os livros ou jornais ou revistas de papel.

Na verdade estou longe de ser um profeta, mais que a TV como a conhecemos vai certamente mudar, ela vai!. Sistemas que pulam as propagandas crescem em aceitação.

Um bom exemplo é a proliferação dos sistemas DVR (Digital Video Recorder) corporificado pelo emblemático TiVo. A Sky e seu modelo avançado com tecnologia DVR é uma ameaça ao modelo baseado em anúncios.

Pular as propagandas na TV, chamo esta inovação de realmente matadora. Lembrando que tecnologias à medida que evoluem (principalmente o hardware) e os custos por unidade caem se comoditizando rapidamente e de forma espantosa como aconteceu com os HD´s. Outro sinal profético são os aparelhos de TV que ligam direto na WEB, como é o caso do INFINITY da LG comercializado no Brasil. Neste aparelho de TV podemos ver programas direto da Internet como é o caso do Terra TV ou do TV UOL entre os nacionais sem contar as centenas de canais internacionais.



Outras propostas de valor que surgem dia a dia, são geradores de stress e complicam a vida dos que dirigem as empresas de TV, que não são nada tranqüilas como muitos acham. A questão é se estão preparados para a revolução da chamada transmídia que afeta gradualmente as camadas sociais, especialmente nossa forma de entendimento e consumo das diversas mídias de informação e entretenimento, junto com todos estes movimentos no setor de convergência da TI + Com. Um fator fundamental que alimenta ou esfria o processo é a disponibilidade, custo por megabyte, qualidade e bitola da banda larga ofertada pelos que dão acesso e provedores de internent. Os titulares do setor não podem ficar de braços cruzados na espera do que vai acontecer ou que os seus pares irão fazer. Quando chegar a hora poderá ser demasiado tarde e quem não estiver preparado sucumbirá subitamente ou aos poucos, um exemplo muito real são os vários jornais de papel com problemas sérios de sobrevivência ou desaparecendo do mapa ano a ano.