quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Qualidade desde o Projeto

Postei o material abaixo no Slideshare que uso nos cursos de Engenharia da Qualidade. Quem quiser pode baixar os slides nos links do próprio Slideshare.

A Engenharia da Qualidade é uma das armas secretas das empresas que conseguiram implantar no seu DNA a função qualidade. Essencialmente para empresas que evoluem nas suas competências de P&D.
Muitos dirão que agora é Six Sigma (SS), não nos iludamos, o Six Sigma foi desenvolvido pela Motorola mas suas bases estão inteiramente na Engenharia da Qualidade primeiro e é claro as outras partes são contribuição dos avanços na Gestão de Projetos e Gestão da Qualidade. Entendo que o SS propõe uma estrutura e tática de trabalho muito prática e focada no alto desempenho. Os Black Belts e os outros belts são uma grande sacada de como o trabalho em formato de força tarefa na busca da eficiência operacional funciona muito bem para as empresas, que o diga Jack Welch ex-CEO da GE. Quando o culto à eficiência operacional nas camadas táticas caiu e novos padrões na busca da eficiência operacional nascem, onde a sacada agora é projetar as coisas com qualidade desde o seu conceito. A melhoria operacional avança para níveis acima dos programas Six Sigma e questões como Projeto e Design de Sistema Produto, Processo e de Produção de forma integrada se tornam fundamentais na busca da eficiência operacional. Até mesmo questões como modelo de negócios, plataforma e estratégias de inovação dos sistemas operacionais são fundamentais para esta nova estratégia de operar e ser melhor que o concorrente. Mas isto é outro aspecto que podemos tratar em outro post. 
A Engenharia da Qualidade surge das práticas e experiências de empresas japonesas que obtiveram grandes resultados com a utilização intensiva de técnicas estatísticas e a integração e uso a outros métodos na busca incansável da melhoria contínua e  inovação. O grande avanço tecnológico japonês foi sem dúvida alguma e sem nenhuma vergonha ou sentimento de culpa com o uso da engenharia reversa e para tal a Engenharia da Qualidade foi a abordagem técnica chave. 
Historicamente Walter A. Shewhart e Genichi Taguchi são os pais da Engenharia da Qualidade. Pelas minhas pesquisas Taguchi foi muito mais ousado na sua contribuição e trouxe novas formas de ver o controle da qualidade. On-line and Off-line Quality Control é como Taguchi batiza as duas práticas do controle da distinguindo o que acontece no gemba e o que acontece nos laboratórios de projeto e outras fases de adição de valor. Resumindo o CQ deve cobrir todas as etapas desde o conceito, desenvolvimento, lançamento, produção (on-line), vendas, entrega, uso e descarte do produto, criando uma nova perspectiva na busca de uma qualidade assegurada. Para Taguchi a qualidade deve trazer a mínima perda para a sociedade. Para Taguchi a qualidade deveria ser quantificada pela mínima perda pago pela sociedade. Ou seja quando o produto foi projetado para ter um desempenho de 50 unidades e este é produzido com 49,99 de unidades de desempenho a diferença representa uma perda. Taguchi desenvolveu a Função de Perda onde a qualidade poderia ser quantificada em unidades monetárias de perda. Uma linguagem com melhor sintonia para o que a gerencia espera como indicador da qualidade não acham?.
Por outro lado também no mundo da Engenharia da Qualidade outros dois instrumentos muito importantes para projetar produtos e processos com maior confiabilidade é o FMEA e FTA. Instrumento que nasce na indústria aeroespacial que utilizava o mais sofisticado e moderno no âmbito da engenharia da confiabilidade e que os japoneses descobriram e decidiram que seria útil e importante seu uso na industria de transformação japonesa. Todos sabemos qual foi o resultado disto, os japoneses conseguiram quebrar todos os paradigmas de garantia da qualidade praticados nos anos 80 e 90. Era impressionante como a Honda entrou com o sedã Accord no mercado americano onde a prática de garantia era de menos de um 1 ano para 3x isto. Vocês devem lembrar as TVs japonesas de marca Sony ou Mitsubishi quebrar todas as regras do jogo com garantias de anos a perder de vista que a concorrência não conseguia imitar. A estratégia japonesa era pegar no ponto fraco, a baixa expectativa dos clientes ocidentais e criar um novo nível de expectativa nos clientes, cumprindo com ela era ganho seguro.
Sei que estou simplificando muito a história, faz parte do jogo dos blogueiros, me perdoem os habituados a uma história com detalhes e referências.